Você já terminou uma relação pensando:
“Nunca mais quero alguém assim.”
E algum tempo depois percebeu que estava vivendo uma história diferente, com outra pessoa, mas sentindo praticamente as mesmas coisas?
Talvez novamente você seja a que espera.
A que entende demais.
A que tenta salvar.
A que dá muito e recebe pouco.
Ou a que precisa constantemente sentir que foi escolhida.
É comum chamar isso de azar ou dizer que “só aparece gente assim”.
A psicanálise olha por outro caminho.
Nem sempre repetimos a pessoa. Repetimos o lugar.
As pessoas podem mudar completamente e, ainda assim, você ocupar a mesma posição dentro dos relacionamentos.
Isso acontece porque nossas escolhas afetivas não são feitas apenas de maneira racional.
Existe também aquilo que aprendemos, muito cedo, sobre amor, cuidado, abandono, reconhecimento e pertencimento.
Talvez você tenha aprendido que amar é esperar.
Que precisa ser necessária para ter um lugar.
Que demonstrar demais afasta.
Ou que amor sempre vem acompanhado de alguma insegurança.
Isso não significa que você escolha sofrer conscientemente.
Significa que algumas formas de relação podem parecer estranhamente familiares, mesmo quando fazem mal.
O familiar não é necessariamente saudável
Às vezes uma relação tranquila parece “sem química”, enquanto alguém imprevisível provoca ansiedade, expectativa e intensidade.
E talvez valha perguntar:
isso é desejo ou é reconhecimento de algo que eu já conheço?
Perceber uma repetição não é se culpar pelo que aconteceu.
É começar a investigar por que determinados vínculos têm tanto poder sobre você.
Na análise, a pergunta deixa de ser apenas:
“Por que sempre encontro pessoas assim?”
E passa a incluir:
“Por que eu continuo ocupando esse lugar quando encontro alguém assim?”
É uma pergunta mais difícil.
Mas também é justamente ela que pode abrir espaço para uma escolha diferente.